janeiro 30, 2018
agosto 23, 2016
Desejo de ver o outro que se desaparece.
Ainda
não sei falar sobre o outro que está pelas partes. O outro pulsa. Respira. Se
dá a ver sensorialmente. Companhia que cerca por pequenos instantes. Pequenas
latências. Possui traços esfumaçados.
Talvez o outro seja ressonância. Escuta. Movimentos por minúsculos que pareçam.
Cheira estar e não estar como sensação daquilo que se passa através. Em infinitas
direções. Transitando, desmanchando e recriando por movimentos ziguezagueantes.
Imprevisíveis. Nascem das micros percepções. O outro cresce. Volta e vai.
Confunde, entrelaça, interage. O outro é algo que conduz. De qualquer forma o
outro não sou eu.
Talvez
o outro esteja escondido por detrás de alguma coisa. Bom se fosse verdade. Jamais
uma forma única. O outro engana. Está fadado a desaparecer. Mas não é vazio. Escapa.
Aparece desaparecendo. Desde o princípio desfazimento. Quem sabe o outro não
seja aquilo que se apaga. Luz que desaparece. Fugição. Abandono. Mas quando
surge irrompe novas percepções. É repentino. É piscadela. É também presença
poética de estar. Talvez ele nem tenha tocado em mim. Mas há rastro que ele
passou. Em todo o caso sem poder ser visto. Sendo fluidez. Impedimento. Equilíbrio
precário de companhia. O outro é relacional. É brincadeira. É coisa rara.
Redescoberta. Acaso. Diferença. Sem estabelecer o que é. Ah, quem dera ser
possível denominar o outro.
agosto 26, 2015
Só
Ela vem
Aparece sem explicar
Amanhece
Me faz sorrir
Vem
Ao longo do dia
Uma hora
Ou outra
Sabe
A boca ilícita
O sono acaba
Às vezesjunho 25, 2015
abril 07, 2015
Peço desculpas por te escrever nesse papel manchado de café.
E sobre o fraquejo da letra, peço desculpas também. Minha caneta não está nada
boa. Mas, ainda assim, continuo a escrever. Peço desculpas pelos longos silêncios
de uma palavra para outra, mas eu não encontro as palavras. Ontem aconteceu uma
coisa estranha, acho que não te contei sobre isso, mas se eu já tiver te contado,
peço desculpas. Sei que você perde o calor quando você escuta uma coisa já
contada, e não gostaria que isso acontecesse com você. Peço desculpas, mas não
devia ter escrito isso, peço que você pule esse pedaço para que eu não tenha
que rasurar essa parte. Assim, o papel não resistiria. Já tem o café, a caneta
falha, na qual, volta e meia, eu reforço algumas meias palavras. Mas não quero
grifar nada. Peço desculpas, se isso parecer. Enfim, cada parte
daqui fui eu mesmo que escrevi. Já fiz algumas tentativas. Espero que
esta não tenha o mesmo fim. Nisso tudo, meu único receio é que este papel não
chegue a você, e que, assim, você não receba tudo aquilo que está aqui dentro.
Do seu.
abril 04, 2015
orquídea
Começar assim, pediu partida para de novo ir. Já disse a ele, jeito chato, mas ele não escuta. Falei para rasgar tudo, e do mal gosto que é de se fechar em si mesmo. O pior é o cheiro de tédio que ele exala quando decide não vir, mas o problema é dele, o problema é dele, dele, ele gosta assim, começar assim, não adianta começar de outro jeito, jeito estúpido de se começar, ninguém começa assim, partir sem rumo, para ir e vir, chegar aqui para mais uma vez chegar, e sair. Já disse a ele do cheiro de estar e não estar, mas ele não escuta. Diz sem dizer, para pedir para ficar sem ficar, mas eu não ligo, eu não ligo, ligo para ele, mas ele não atende. Saiu para voltar e não voltou. Rasgou tudo por aqui. Pediu partida e se foi. Foi para voltar, para ir e vir, mas não chegou. Partiu para não mais partir. Rasgou letras, vírgulas e cifras, e se foi, e se foi, e foi, e até agora só foi. E foi quando um cheiro forte de orquídea invadiu a sala.
março 27, 2015
A minha realidade é o que eu escrevo. Não vou florir flores
que não são minhas e nem vou me ficcionar, pois é a minha respiração que
direciona os meus movimentos... Mas, às vezes, eu tenho a impressão que eu respiro
tão mal, pois simplesmente voo longe ao me esquecer de soltar o ar. Quando isso
acontece, me dá uma vontade tão grande de rir, mas me seguro por segurança... Mas,
agora, eu solto todo o ar, pois continuo a voar, só que com asas para o mundo.
março 23, 2015
Assinar:
Postagens (Atom)