agosto 26, 2015

Ela vem
Aparece sem explicar
Amanhece
Me faz sorrir
Vem
Ao longo do dia
Uma hora
Ou outra
Sabe
A boca ilícita
O sono acaba
Às vezes



tão bom que de tão bom tão bem




junho 25, 2015


Desfiz o hábito e lancei cartas para o ar.

abril 07, 2015


Peço desculpas por te escrever nesse papel manchado de café. E sobre o fraquejo da letra, peço desculpas também. Minha caneta não está nada boa. Mas, ainda assim, continuarei a escrever. Peço desculpas pelos longos silêncios de uma palavra para outra, mas eu não encontro as palavras. Ontem aconteceu uma coisa estranha, acho que não te contei sobre isso, mas se eu já tiver contado, peço desculpas. Sei que você perde o calor quando você escuta um caso já contado, e não gostaria que isso acontecesse com você. Peço desculpas, mas não devia ter escrito isso, peço que você pule esse pedaço para que eu não tenha que rasurar essa parte. Assim, o papel não resistiria. Já tem o café, a caneta falha, na qual, volta e meia, eu reforço algumas meias palavras. Mas não quero grifar nada. Peço desculpas, se isso parecer. Enfim, prosseguirei. Cada parte daqui fui eu mesmo que escrevi. Já rasguei algumas tentativas, e espero que esta não tenha o mesmo fim. Nisso tudo, meu único receio é que este papel não chegue a você, e que assim, você não receba tudo aquilo que está aqui dentro.

Do seu.

abril 04, 2015

orquídea

Começar assim, pediu partida para de novo ir. Já disse a ele, jeito chato, mas ele não escuta. Falei para rasgar tudo, e do mal gosto que é de se fechar em si mesmo. O pior é o cheiro de tédio que ele exala quando decide não vir, mas o problema é dele, o problema é dele, dele, ele gosta assim, começar assim, não adianta começar de outro jeito, jeito estúpido de se começar, ninguém começa assim, partir sem rumo, para ir e vir, chegar aqui para mais uma vez chegar, e sair. Já disse a ele do cheiro de estar e não estar, mas ele não escuta. Diz sem dizer, para pedir para ficar sem ficar, mas eu não ligo, eu não ligo, ligo para ele, mas ele não atende. Saiu para voltar e não voltou. Rasgou tudo por aqui. Pediu partida e se foi. Foi para voltar, para ir e vir, mas não chegou. Partiu para não mais partir. Rasgou letras, vírgulas e cifras, e se foi, e se foi, e foi, e até agora só foi. E foi quando um cheiro forte de orquídea invadiu a sala.

março 27, 2015


A minha realidade é o que eu escrevo. Não vou florir flores que não são minhas e nem vou me ficcionar, pois é a minha respiração que direciona os meus movimentos... Mas, às vezes, eu tenho a impressão que eu respiro tão mal, pois simplesmente voo longe ao me esquecer de soltar o ar. Quando isso acontece, me dá uma vontade tão grande de rir, mas me seguro por segurança... Mas, agora, eu solto todo o ar, pois continuo a voar, só que com asas para o mundo.

março 23, 2015


Me perdi. Ando deglutindo tão devagar cada segundo, que demorei mais de um tempo para abrir as janelas da sala, mas se você reparar bem, elas estão mais fechadas que abertas. Talvez seja para o vento não entrar, ou talvez para o silêncio de aqui de dentro não atrapalhar o barulho de lá de fora.

março 21, 2015

os pés

Desde muito cedo, descobri o rodopear dos pés ao me deitar na cama.
Era involuntário, mas preciso.
Sempre achei que seria um segredo só meu.
Porém, ao me deitar com outros, fiz com que este gesto tão particular fosse, aos poucos, tomando corpo nos corpos dos outros pés que me esbarravam sem perceber.
E assim, sem me propor nada, os seus pés namoravam os meus.

março 07, 2015

Cato as palavras e começo a escrever

Talvez seja uma forma torta de voar em gestos soltos




Sair de mim em transverso e jogar pro ar somente a leveza de ser




...

fevereiro 06, 2015

Fez o mar na minha frente
Já molhado levantei da cama
Mas não sei se o mar se fez repente
Ou se fui eu a desaguar
Ou se aqui ele já permanecia
Ou se eu bebi o mar
Ou se o mar me bebeu
Não
Impossível imaginar que eu o deixei entrar
Ou o contrário
Eu e ele não saberíamos conviver juntos
Talvez eu um mar
E quando me instalei aqui trouxe comigo todo o ele
Mas no fundo eu não o sou
Nunca o fui
Ou sempre fui e nunca soube
De qualquer forma
Nunca soube muito sobre mim e poderia ter sido ele
Mesmo sem o conhecer
Poderia me soltar de mim
E me jogar nas suas águas
Ou ele se desprendesse dele
E se jogasse em mim
Ainda não sei como pensar
Mas me parece que esses dois caminhos acabam chegando ao mesmo fim
Mas qual o seria?
De estar eu nele e ele em mim?
Mas e se não for tão simples?
E se eu me afundei mais do que eu devia nele?
Ou se ele tocou pouco de mais em mim?
De qualquer forma
Não sou ele
E tão pouco eu
E estou tão longe dele que duvido que ele se fez em algum momento

fevereiro 01, 2015

Perdido o início já nem sei por onde começar. Aqui as coisas acontecem de uma forma tão rápida, passa tudo tão de repente e quando menos se espera tudo virou começo de novo. E fico eu sem entrar na virada da música. Mas é que às vezes, me desconcentro tão inesperadamente que perco o valseio de tudo.  Nessa hora, não peço para ele parar. Acho tão bonito a retomada que acabo por perder a entrada mais uma vez.  Assim, ganhando ao avesso, faço questão de sentir o frio na barriga que me dá quanto o mesmo acorde faz voltar.