Olha, não sei mais. Aqui, neste minúsculo apartamento, meio afundado e meio boiando sobre as ondas, às vezes, passo a noite olhando as estrelas, tentando ligar os pontos entre elas, como naquele velho jogo, embora tudo isso nunca dure muito tempo e, talvez, esteja mais na imaginação.
março 05, 2022
Não escreverei nenhum eu por aqui. Não escreverei mais. Qualquer definição ou marca de pertença será em vão. Não a tenho. Não as tenho. Sou como o mar sem direção, seguindo e atravessando com todo o seu ser, sem se ancorar em alguma coisa ou lugar. Sobre ele, pela manhã, ora o sol ou as nuvens, ora apenas a chuva. Pela noite, a lua, e por que não o temporal? Acidentalmente, o céu é você. Quanto mais claro, mais azul. Quanto mais escuro, mais estrelas. E tantas outras coisas. Sou seu e não o sou. Em uma distância impossível a todo o momento. Perto, embora tão longe. Nem com você nem sem você.
dezembro 11, 2021
junho 09, 2019
...tudo outra vez
todo este esta respiração som voz olhar
é tudo junto tudo correndo risco de ser devorado
este corpo
em si fora de si
ele ela está ou não está balançando a cabeça abrindo e fechando a boca?
a voz nunca chega
grunhindo não grunhindo
não podendo fazer calar
sem entender
esta voz prestes
quem é ela quem é ele?
pergunto
ela ele?
pergunto
quando a voz tocar nesse corpo ele ela eles saberão o que fazer?
eles têm uma boca ela grita
deixa o som escapar a boca
ela mexe algo muda
que que a boca faz?
barulho de boca aberta
de língua pelos cantos
de vozes
o que dizem?
a boca não sabe se silencia.
E recomeça
cospe e mastiga
para acabar
de dizer
pouco a pouco
aos poucos
tomando o copo o corpo
para acabar
de vez
de vez
todo este esta respiração som voz olhar
é tudo junto tudo correndo risco de ser devorado
este corpo
em si fora de si
ele ela está ou não está balançando a cabeça abrindo e fechando a boca?
a voz nunca chega
grunhindo não grunhindo
não podendo fazer calar
sem entender
esta voz prestes
quem é ela quem é ele?
pergunto
ela ele?
pergunto
quando a voz tocar nesse corpo ele ela eles saberão o que fazer?
eles têm uma boca ela grita
deixa o som escapar a boca
ela mexe algo muda
que que a boca faz?
barulho de boca aberta
de língua pelos cantos
de vozes
o que dizem?
a boca não sabe se silencia.
E recomeça
cospe e mastiga
para acabar
de dizer
pouco a pouco
aos poucos
tomando o copo o corpo
para acabar
de vez
de vez
janeiro 30, 2018
agosto 23, 2016
Desejo de ver o outro que se desaparece.
Ainda
não sei falar sobre o outro que está pelas partes. O outro pulsa. Respira. Se
dá a ver sensorialmente. Companhia que cerca por pequenos instantes. Pequenas
latências. Possui traços esfumaçados.
Talvez o outro seja ressonância. Escuta. Movimentos por minúsculos que pareçam.
Cheira estar e não estar como sensação daquilo que se passa através. Em infinitas
direções. Transitando, desmanchando e recriando por movimentos ziguezagueantes.
Imprevisíveis. Nascem das micros percepções. O outro cresce. Volta e vai.
Confunde, entrelaça, interage. O outro é algo que conduz. De qualquer forma o
outro não sou eu.
Talvez
o outro esteja escondido por detrás de alguma coisa. Bom se fosse verdade. Jamais
uma forma única. O outro engana. Está fadado a desaparecer. Mas não é vazio. Escapa.
Aparece desaparecendo. Desde o princípio desfazimento. Quem sabe o outro não
seja aquilo que se apaga. Luz que desaparece. Fugição. Abandono. Mas quando
surge irrompe novas percepções. É repentino. É piscadela. É também presença
poética de estar. Talvez ele nem tenha tocado em mim. Mas há rastro que ele
passou. Em todo o caso sem poder ser visto. Sendo fluidez. Impedimento. Equilíbrio
precário de companhia. O outro é relacional. É brincadeira. É coisa rara.
Redescoberta. Acaso. Diferença. Sem estabelecer o que é. Ah, quem dera ser
possível denominar o outro.
agosto 26, 2015
Só
Ela vem
Aparece sem explicar
Amanhece
Me faz sorrir
Vem
Ao longo do dia
Uma hora
Ou outra
Sabe
A boca ilícita
O sono acaba
Às vezesjunho 25, 2015
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