Na companhia de chegar. Em casa o gosto de ficar sozinho pouco a pouco. E pensar em ti.
fevereiro 05, 2014
novembro 09, 2013
Hoje, eu me procurei pela casa inteira por horas, me perdia em me achar pela casa, em todos os cantos por cada detalhe mínimo por máximo e vice-versa. Sem sucesso não me encontrei em nenhum GPS ou radar. Não estava nem debaixo nem em cima do colchão, também não me encontrei debaixo da cama, muito menos no armário e nem em nenhuma gaveta do criado mudo, não estava na pasta de arquivos no serviço e não encontrava na caixa do correio do condomínio e nem perdido entre as bolinhas de papel da cestinha embaixo da minha mesa. Me procurei nos bolsos da calça e da camisa, também não me achei na embalagem de leite em caixinha, lá não tinha minha foto como desaparecido nem meu nome como procurado no mural da delegacia. Decepcionado fiquei, em não ver nada a respeito na televisão, o rádio não ouvi nada, os jornais pior ainda, futebol, guerra do tráfico com a polícia, glamour da coluna social, e os capítulos da novela das nove, mas eu não estava lá, e ninguém citou meu nome, até nos classificados procurei, mas só conjugados, dois quartos com suíte e duas vagas na garagem, com porteiro 24 horas, meu nome e meu rosto não estava no outdoor, muito menos no vidro traseiro de nenhum ônibus.
Fui então me procurar, me procurar pelos lugares improváveis, assim, atrás de mim, me procurar onde eu não estou, digo, aonde eu possa me encontrar, eu que não estou nem aqui, nem ali, nem debaixo, como fazer? Pra aonde ir? Me procurar pelos lugares improváveis atrás de mim, pela escuridão tentar me achar, percorrer os cantos escuros aonde eu, atrás de mim, pelas minhas sombras, digo, pelas sombras me encontrar. Isso me basta, digo, isso basta, isso basta, isso basta, isso basta, isso basta, isso basta, basta talvez percorrer pelas palavras, depois da escuridão as palavras, nos cantos das páginas amarelecidas, percorrer atrás de mim, nos cantos escuros das páginas amarelecidas, assim, me procurar nas assinaturas ilegíveis nos cantos escuros das páginas amarelecidas, assim, eu posso, atrás de mim, me encontrar.
(*Escritos com César)
setembro 18, 2013
setembro 12, 2013
As repetições. As rodas. Os redemoinhos.
Frestas meio abertas
De venezianas
Caressem
Silêncios intensos
Ora um e ora o outro
Correm-se
Gestos dançados
Observados
Na metade
A mesma voz
Melódica
Partida
Cama querendo
Ora um e ora o outro
Olho
abril 29, 2013
TREMOR
Ele
passa sem rosto com precisão
Homem
sem contorno
Que
desaparece pela casa
Ele
– homem que passa
Não
eu
Não
ele
Não
dorme, transita
Entra
com a televisão nas mãos
Ligada
pelos fios desenrolados pela casa
Nunca
está presente
Nunca
ele
Dá
parabéns, cheques, peixes, vidro
Sobe
a antena, desliga a máquina
Bate
na lateral direita da televisão
Corta
a orelha do filho
Não
eu
Repassa
pelo mesmo caminho sem perceber
Ele
nunca chega, sempre indo
Tem
que trocar a água, que sobe
Para
dar de presente o mar para o filho.
março 26, 2013
março 22, 2013
Com César
São esquecidas todas as palavras que ficaram presas na boca, que se resguardaram no silêncio, nas reflexões de quase tudo.
Quase tudo é sempre o bastante pra desaguar qualquer lágrima, que em mim é quase um regato, de quase tudo.
O ar está cheio das muitas poucas coisas. Das poucas coisas que restou de ti, resta eu. Resta pouco de mim.
Não muito mais, ouvia a sua voz presa a minha nuca. Mas agora ela se cala, dentro da minha boca.
Eu fecho você. E o mar se esvai de olhos fechados e se fecha no fim. Pra sempre prestes a terminar.
No não impulso, sem pulso, eu pulso nas palavras engolidas. Na espreita da tua chegada e na espera da sua partida.
Quase tudo é sempre o bastante pra desaguar qualquer lágrima, que em mim é quase um regato, de quase tudo.
outubro 27, 2012
Música
ele não quer mais, aqui.
ele não quer mais tocar aqui.
ele não perto de nós,
perto de nós,
ficar aqui,
dentro de nós,
ele não quer mais, bem aqui.
ele não mais tocar.
ele, perto de nós.
tocar aqui, dentro de nós,
cansar aqui,
perto de nós, ficar.
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