Tá amarelecido. Deixa
assim. O amarelo alegra a casa.
novembro 09, 2013
setembro 18, 2013
setembro 12, 2013
As repetições. As rodas. Os redemoinhos.
Frestas meio abertas
De venezianas
Caressem
Silêncios intensos
Ora um e ora o outro
Correm-se
Gestos dançados
Observados
Na metade
A mesma voz
Melódica
Partida
Cama querendo
Ora um e ora o outro
Olho
abril 29, 2013
TREMOR
Ele
passa sem rosto com precisão
Homem
sem contorno
Que
desaparece pela casa
Ele
– homem que passa
Não
eu
Não
ele
Não
dorme, transita
Entra
com a televisão nas mãos
Ligada
pelos fios desenrolados pela casa
Nunca
está presente
Nunca
ele
Dá
parabéns, cheques, peixes, vidro
Sobe
a antena, desliga a máquina
Bate
na lateral direita da televisão
Corta
a orelha do filho
Não
eu
Repassa
pelo mesmo caminho sem perceber
Ele
nunca chega, sempre indo
Tem
que trocar a água, que sobe
Para
dar de presente o mar para o filho.
março 26, 2013
março 22, 2013
Com César
São esquecidas todas as palavras que ficaram presas na boca, que se resguardaram no silêncio, nas reflexões de quase tudo.
Quase tudo é sempre o bastante pra desaguar qualquer lágrima, que em mim é quase um regato, de quase tudo.
O ar está cheio das muitas poucas coisas. Das poucas coisas que restou de ti, resta eu. Resta pouco de mim.
Não muito mais, ouvia a sua voz presa a minha nuca. Mas agora ela se cala, dentro da minha boca.
Eu fecho você. E o mar se esvai de olhos fechados e se fecha no fim. Pra sempre prestes a terminar.
No não impulso, sem pulso, eu pulso nas palavras engolidas. Na espreita da tua chegada e na espera da sua partida.
Quase tudo é sempre o bastante pra desaguar qualquer lágrima, que em mim é quase um regato, de quase tudo.
outubro 27, 2012
Música
ele não quer mais, aqui.
ele não quer mais tocar aqui.
ele não perto de nós,
perto de nós,
ficar aqui,
dentro de nós,
ele não quer mais, bem aqui.
ele não mais tocar.
ele, perto de nós.
tocar aqui, dentro de nós,
cansar aqui,
perto de nós, ficar.
setembro 18, 2012
Para afundar
Esse barulho vem do apartamento de cima.
É barulho de água se movimentando.
Nunca parada. Sempre pingo.
Pingo de água presa à tubulação.
Água que vaza do apartamento de cima.
Às vezes mais forte. Vezquando mais fino.
Mas sempre.
Desta água que aperta.
Pelos canos. Jorram.
Livres. Leves. Envolta.
Por toda casa. Das casas.
Água que passa.
Pelos copos. Corpos.
Mil copos.
E bebem. Para afundar.
dezembro 15, 2011
Querida Virgínia,
Sepulto as tentativas do amor. Sepulto à ti, a mim, a nós. Peço desculpas por não ter comparecido ao nosso casamento, mas era inevitável. E desde já, digo que não quero mais ver seus passos vindos em minha direção. Peço que não me escreva mais, principalmente sobre o amor. Eu não amo você e não vou te amar. Eu começo a fechar você da minha vida. Eu me sinto sufocado com uma dor grande na garganta.
Seja alegre e logo você encontra outro. Logo estará amando outro. O tempo enreda-se aos poucos disso. Por isso peço distância. E se for muito difícil, peço que não venha mais.
Leonardo
Seja alegre e logo você encontra outro. Logo estará amando outro. O tempo enreda-se aos poucos disso. Por isso peço distância. E se for muito difícil, peço que não venha mais.
Leonardo
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